MÉTODOS E TÉCNICAS UTILIZADOS NA PESQUISA GEOGRÁFICA
CERTEZAS PROVISÓRIAS DÚVIDAS TEMPORÁRIAS
Para se realizar uma pesquisa geográfica é de fundamental importância definir os métodos e as técnicas a serem utilizados para que os objetivos possam ser alcançados, sendo que os métodos podem ser científicos ou empíricos sendo os mesmos indissociáveis e as técnicas deverão ser variadas. Caso contrário, corre-se o risco de comprometer o resultado da pesquisa.
1- Qual o melhor método para se realizar uma pesquisa na área da geografia?
2- Será possível realizar uma pesquisa utilizando apenas métodos ou apenas técnicas? Ou ambas são indissociáveis?
3- Como fazer uma pesquisa bibliográfica que esteja adequada ao método que iremos adotar em nossa pesquisa?
O texto de Dutra traz de forma bastante explícita as particularidades entre métodos e técnicas, buscando de forma objetiva esclarecer possíveis dúvidas no transcorrer da elaboração do projeto de pesquisa. Ele traz ainda, a importância de se ter método e técnicas adequadas para a ideologia tal qual o pesquisador optou por defender no seu projeto de pesquisa geográfica, enfocando que o método sempre vem carregado de uma ideologia e que é imprescindível a escolha adequada,caso contrário, poderá acarretar numa argumentação mal fundamentada e conseqüentemente, fragilizará a posição defendida pelo pesquisador.
Mostra que, em se tratando das ciências geográficas, onde o campo de atuação é bastante complexo, principalmente no que desrespeito a geografia humana, levando em consideração os conflitos Sociais e as relações estabelecidas entre homem/natureza, homem/homem seja arriscado à utilização da unicidade metodológica, deixando clara a sua escolha preferencial em adotar o pluralismo metodológico.
Quanto às certezas provisórias, o texto confirmou alguns dados e refutaram outros, esclarecendo a existência de métodos além do científico e do empírico como, por exemplo: o dialético, o positivista, entre outros. Além do mais, nos possibilitou esclarecer algumas dúvidas provisórias mostrando que a escolha metodológica de uma pesquisa depende do seu objeto de pesquisa e que método e técnica são indissociáveis.
O texto de Camargo traz a dualidade entre as ciências, principalmente entre a natural e a humana, mostrando as questões metodológicas que as envolve dando um enfoque maior à questão da geografia enquanto ciência.
O texto traz de forma bastante sistemática a visão da corrente neopositivista em relação ao objeto de estudo das ciências naturais e humanas. Segundo o autor a ciência neopositivista não faz distinção entre ambas e por isso impõem um único método para solucionar os problemas tanto os de ordem naturais quanto os de ordem humana. Outro ponto abordado no texto e de grande relevância é quanto ao desafio que as ciências humanas têm enfrentado para ser reconhecida como verdadeira ciência. Um deles é que a ciência trabalha com a objetividade enquanto que o humano é justamente o subjetivo e segundo o autor, não dar para transformá-lo em objetividade sem destruir sua subjetividade. Além do mais o autor diz que devido à complexidade de discursos que muitas vezes são divergentes ou estão inseridos num contexto histórico, político e ideológico as ciências humana não aceita metodologias rígidas e nem receitas de aplicação imediata que garanta resultados objetivos e exatos. E que para se pesquisar nessa área é necessário um suporte teórico para fundamentar a escolha metodológica.
O texto de Camargo enfoca ainda a comparação entre empirismo lógico (neopositivista) e a teoria crítica (corrente marxista), mostrando que para os neopositivistas a metodologia antecede o problema que será pesquisado enquanto que para os marxistas é o problema que deve anteceder a metodologia. Ou seja, a metodologia é quem deve se adequar ao problema e não o oposto.
Em relação à metodologia adequada para as pesquisa geográficas, o autor traz de forma bastante objetiva as definições de cada método mostrando qual método deverá ser utilizado para a realização de pesquisas em cada uma das áreas das ciências geográficas. Isto é, se pretende pesquisar na área da geografia física o método adequado é o científico; se quer pesquisar na área da geografia crítica ou radical o mais apropriado é o dialético; mas se quer pesquisar na área da humanística, deve-se adotar o método fenomenológico.
Além dos aspectos citados acima, o texto de Camargo veio complementar as informações contidas no texto de Dutra, mostrando de forma bem objetiva a aplicabilidade e a especificidade de cada classificação metodológica, aspecto que o texto anterior não trouxe. Além do que, há uma convergência entre os textos sobre a importância, ou seja, a necessidade da utilização de métodos apropriada para cada tipo de pesquisa. Outro ponto de convergência é quanto à amplitude e complexidade do objetivo de estudo da geografia humana. No entanto, a visão da ciência neopositivista é divergente da ideia central do texto de Dutra; enquanto o primeiro adotavam a “unicidade científica”ou seja, acreditavam na existência de um único método de investigação para todo e qualquer conhecimento cientifico, o segundo defendia a necessidade de se trabalhar com o pluralismo metodológico enfocando que a utilização de apenas um único método não dará conta da pesquisa geográfica, em especial a humanística .
Já o texto de Mendonça traz uma reflexão sobre os atuais problemas que apresentam as ciências na contemporaneidade e da necessidade de se ter uma visão da totalidade para melhor compreender o mundo, além de questionar a unicidade cientifica principalmente no que se refere á geografia ambiental. O autor enforca que em se tratando de pesquisas na área da geografia ambiental e imprescindivel que antes de iniciar a pesquisa deve-se recorrer ao conceito do que seja meio ambiente, acrescentando que a questão ambiental não é tarefa única de nenhum dos ramos da ciência e por isso os seus estudos devem ser multidisciplinares. Além do que, segundo Morais, “não seria possível formular uma única proposta de analise da temática ambiental para todas as ciências que estudam a sociedade, devido ás situações distintas.
O autor traz ainda a visão opositora de FEYERABEND em relação ao racionalismo exacerbado e ao neopositivismo contestando a ideia de que a ciência seria a única forma de conhecimento válida para se chegar à verdade. Dizendo que a ciência tem de ser protegida das ideologias e vice versa, porém, isso não significa que um não possa tirar proveito do outro, o que não pode acontecer é a imposição de nenhum dos dois. Ou seja, ciência e senso comum devem se unir para encontrar soluções para problemas coletivos.
Em relação à metodologia, o autor considera ser impossível a utilização de um único método para abarcar ao mesmo tempo os problemas de ordem naturais e os de ordem Sociais, pois segundo o autor, tal procedimento fatalmente fracassará, porque “todas as metodologias, até mesmo as mais óbvias, tem suas limitações”.
Em relação aos textos anteriores, o texto de Mendonça trouxe como complemento o enfoque da geografia ambiental, mostrando a importância de se trabalhar essa temática de forma interdisciplinar, dizendo que o cruzamento das individualidades proporciona a criação de novos objetos e de novas formas de se abordar à realidade.
Tanto o texto de Dutra quanto o de Mendonça dão ênfase a importância da utilização de métodos específicos para cada tipo de investigação bem como o texto de Camargo. Porém, os textos divergem quanto ao pluralismo metodológico. Enquanto Dutra e Mendonça convergem em que não existe método único capaz de dar conta de uma ampla gama de questões que envolvem as ciências geográficas, Camargo, no entanto não sinaliza sua opinião quanto a isso, deixando a entender que a unicidade metodológica é suficiente.
Em síntese, podemos concluir que, as escolhas metodológicas dependem do objeto de estudo e que devemos levar em conta suas características, sua complexidade e peculiaridades e principalmente, investigá-lo levando em conta a sua totalidade. Lembrando que o método adequado é aquele que apresenta vínculo com o objeto de investigação. Além do que, a problematização é à base da pesquisa, isto é, antes de dar início a uma pesquisa é imprescindível que se tenha uma problemática bem definida.
Não devemos esquecer também que todo método tem uma ideologia, ou seja, tem sua concepção de lugar, de tempo, de homem, etc. e como é preferível adotar nas pesquisas o pluralismo metodológico, então não podemos esquecer que todos os métodos utilizados para fundamentar a pesquisa devem seguir a mesma corrente teórica.
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